Silvio Gallo, Deleuze e a Educaçao. Belo Horizonte: Ed. Autentica, 2008.


M. Hardt sobre Deleuze = A producao depende de encontros, encontros são roubos e roubos são sempre criativos; roubar um conceitoé produzir um conceito novo.


Alain Badiou sobre Deleuze = é preciso pensar juntas a univocidade do Ser e a equivocidade dos entes (a segunda sendo apenas a producao imanente da primeira), sem mediacao dos generos e das especies, dos tipos ou dos emblemas, em suma: sem categorias, sem generalidades.


A filosofia não pode ser vista nem como contemplacao, nem como reflexao, nem como comunicacao.


Contemplacao – não é criativa, consiste na visada da coisa mesma.

Comunicacao – (critica a Habermas e Rorty) – ela visa ao consenso, nunca ao conceito; o conceito é mais dissenso que consenso.

Reflexao – não é específica da atividade filosofica.

Este 3 são formas de constituir Universais em todas as disciplinas.


CONCEITO


não é um operador logico.

Não é um universal.


Merleau-Ponty: a verdadeira filosofia consiste em reaprender a ver o mundo.


A acao do conceito produz um reaprendizado do vivido, uma ressignificacao do mundo.


Ciencia – não cria conceitos: ela opera com proposicoes ou funcoes, que partem necessariamente do vivido para exprimi-lo.


1-Todo conceito é necessariamente assinado; cada filósofo, ao criar um conceito, ressignifica um termo da lingua com um sentido propriamente seu.


2-Todo conceito é uma multiplicidade. Ele é formado por componentes e define-se por eles. É sempre um todo fragmentado, como um caleidoscopio, em que a multiplicidade gera novas totalidades provisorias.


3-Todo conceito é criado a partir de problemas.


4-Todo conceito tem uma história, ele remete a outros conceitos.


5-Todo conceito é uma heterogenese: uma ordenacao de seus componentes por zonas de vizinhança.

Ele é o ponto de coincidencia, de condensacao, de convergencia de seus componentes que permitem uma significacao singular, um mundo possivel.


6-Todo conceito é um incorporal. Ele não pode ser confundido com as coisas; o conceito nunca é a coisa-mesma. O conceito não tem coordenadas espaço-temporais, mas apenas ordenadas intensivas.

O conceito diz o acontecimento, não a essencia ou a coisa.


7-Todo conceito é, pois, um acontecimento, não a essencia ou a coisa. Se não diz a coisa ou a essencia, mas o evento, o conceito é sempre devir.


8-O conceito é absoluto e relativo ao mesmo tempo. Relativo pois remete a seus componentes e a outros conceitos; absoluto pois condensa uma possibilidade de resposta ao problema. Ou seja, absoluto em relaçao a si mesmo, relativo em relacao ao contexto.


9-O conceito não é discursivo, não é proposicional.

A ciencia produz prospectos, que não se confundem com juizos.

A arte produz afectos e perceptos, que não se confundem com percepçoes e sentimentos.


10-O conceito é um dispositivo, ou um agenciamento.

Ele é um dispositivo, uma ferramenta, algo que é criado, inventado, produzido a partir das condicoes dadas e que opera no ambito mesmo destas condicoes. Ele faz pensar, produz novos pensamentos.



PLANO DE IMANÊNCIA


Bento Prado Jr.: os conceitos são acontecimentos, mas o plano é o horizonte dos acontecimentos.

O plano de imanencia é essencialmente um campo onde se produzm, circulam e se entrechocam os

conceitos.


Enquanto solo da producao filosofica, deve ser considerado como pre-filosofico. A filosofia é, ao mesmo tempo, criacao de conceito e instauracao do plano. Plano e conceito nascem juntos.


“cada plano opera uma selecao do que cabe de direito ao pensamento, mas é essa selecao que varia de um para outro. Cada plano de imanencia é Uno-Todo: não é parcial, como um conjunto cientifico, nem fragmentario, como os conceitos, mas distribuido, é um “cada um”.


“o tempo filosofico é assim um gradioso tempo de coexistencia, que não exclui o antes e o depois, mas os superpoe numa ordem estratificada.....A filosofia é devir, não historia, ela é coexistencia de planos, não sucessao de sistemas”.


PERSONAGEM CONCEITUAL


Esses personagens operam os movimentos que descrevem o plano de imanencia do autor, e intervem na propria criacao de seus conceitos.


Foucault – funçao-autor. O autor de um texto é uma ficcao, uma funcao-autor, não uma monada subjetiva que se coloca para alem da obra produzida.


A filosofia é entao constituida por essas tres instancias correlacionais: o plano de imanencia que ela precisa traçar, os personagens filosoficos que ela precisa inventar e os conceitos que deve criar.