GOODSON, Ivor. Currículo, Teoria e História. Petrópolis: Vozes, 2005.


Capítulo 1: “Currículo: a invenção de uma tradição”.


Jackson (1968, p.151-152):

-definição Pré-Ativa de currículo

-realização Interativa de currículo


Maxine Greene (1971):

-Noção dominante de currículo: "uma estrutura de conhecimento socialmente apresentado, externo ao conhecedor, a ser por ele dominado". (definicao pré-ativa).

-Ou "uma possibilidade que o discente tem como pessoa existente, sobretudo interessada em dar sentido ao mundo em que de fato vive" (definição Interativa).


Young (1977):

Currículo como fato: "o currículo como fato precisa ser considerado não como mera ilusão, camada superficial da prática escolar de alunos e professores, mas como uma realidade social, historicamente específica, expressando relações de produção particulares entre pessoas. Semelhante currículo é uma mistificação quando se apresenta como algo que possui vida própria e confunde as relações humanas nas quais, como qualquer conceito de conhecimento, está embutido, fazendo da educação uma coisa que as pessoas não podem compreender nen controlar".


Currículo como prática (também pode mistificar): "reduz a realidade social de "curriculum" ás intervenções e ações subjetivas de docentes e discentes, impedindo-nos de entender o surgimento e persistencia histórica de determinados conceitos, conhecimentos e convenções". (1977, p.237).


Tese Goodson: em termos de currículo as circunstancias sao encontradas, dadas e transmiditidas diretamente, com base no passado.

É preciso analisar as formas prévias de um currículo pré-ativo, sua história e seus conflitos.

É politicamente ingenuo e conceitualmente inadequado afirmar que o importante é a prática e sala de aula. Importa compreender os parâmetros anteriores à prática.

Foco do estudo: confecção do curriculo em nivel pré-ativo.


[ao mesmo tempo] todo conceito progressivo de currículo (e de criação de curriculo) teria ue trabalhar como currículo realizado na prática como um componente central. Todavia, a cresnça absoluta nas propriedades de "transformação do mundo" que o curriculo como prática possa ter, é, penso eu, insistentável. [é necessário reconhecer a persistencia e a força de reprodução sociopolítica que se inscreve na história anterior que econfigura todo currículo pré-ativo].



O curriculo como conflito social


É necessário evitar as visões dicotômicas entre curriculo escrito e currículo como atividade.


"A construção pré-ativa pode estabelecer parametros importantes e significativos paraa execução interativa em sala de aula. Por conseguinte, se não analisarmos a elaboração do currículo, a tentação será a de aceitálo como um pressuporto e buscar variáveis dentro da sala de aula, ou, pelo menos, no ambiente de cada escola em particular. Estaríamos aceitando como "tradicionais" e "pressupostas", versões de currículo que num exame mais aprofundado podem ser consideradas o clímax de um longo e contínuo trabalho" (p.24).


O currículo pré-ativo envolve um conjunto nítido de prioridades sociopolíticas que inevitavelmente influenciam a orientação pedagógica e a execução potencial no ambiente da sala de aula.


Erudito X Popular (exemplo do ensino de música): "que tipo de educação de massa está sendo visado quando o popular é não somente ignorado mas positivamente desvalorizado? É aconselhavel analisar o que se pratica em sala de aula sem levar em consideração esta prévia batalha crítica sobre definição e contrução de curriculo?


Exemplo da história da disciplina "Ciência das Coisas Comuns".

David Layton, Science for the Peoplo (1973): relato da introdução bem sucedida de um currículo denominado Ciência das Coisas Comuns para o ensino de ciências em escolas de classes operárias por volta de 1860. O sucesso do empreendimento levou à eliminação deste curriculo e proposição do ensino de ciencia como disciplina escolar nos moldes das demais disciplinas: pura, abstrata, um conjunto de conhecimentos inswridos como reliquias em compendios e livros de textos.


A ameaça à hierarquia social manifesta-se em relatórios da comissão parlamentar da Associação Britãnica para o Avanço da Ciência, no relato de Lord Wrottesley:


"...mancando, um menimo pobre adiantou-se para dar sua resposta. Coxo e corcunda, rosto pálido e macilento, era nítida nele uma história de pobreza, com suas consequencias...Mas ele deu resposta tão lúcida e inteligente, que nas pessoas brotou um duplo sentimento: admiração, face aos talentos do menino; vexame, porque em alguém da mais baixa das classes inferiores fora encontrada, quanto a assuntos de interesse geral, mais informaão doque em gente que, socialmente, era de classe muito superior. [...]

Situação nociva e perversa seria esta de uma sociedade em que pessoas relativamente desprovidas das benessses da natureza fossem, quanto à capacidade intelectual, geralmente superiores aos que, socialmente, estão acima delas (Hodson, 1987, p.36-37 apud Goodson, p.26).



Goodson: "Iniciar qualquer análise de escolarização aceitando sem questionar, ou seja, como pressuposto, uma forma e conteúdo de currículo debatidos e concluídos em situação histórica particular e com base em outras prioridades sociopolíticas, é privar-se de toda uma séria de entendimentos e insights em relação a aspectos de controle e operação da escola e sala de aula. É assumir como dados incontestáveis as mistificações de anteriores episódios de controle. Deixemos claro, estamos nos referindo à sistemática "invenção de tradição" numa área de produção e reprodução sociais - o currículo escolar - onde as prioridades políticas e sociais sao predominantes." (p.27).


Hobsbawn (1985): Tradição Inventada:

"inclui tanto tradições realmente inventadas, construídas e formalmente instituídas, quanto tradições que emergem de modo menos definivel num período de tempo breve e datável - coisa talvez de alguns anos - e que se estabelecem com grande rapidez" [...]

Tradição inventada significa um conjunto de práticas e ritos: práticas normalmente regidas por normas expressas ou tacitamene aceitas; ritos - ou naureza simbólica - que procuram fazer circular certos valores e normas de comportamento mediante repetição, que automaticamente implica em continuidade com o passado. De fato, onde é possível, o que tais práticas e ritos buscam é estabelecer continidade com um passado histórico apropriado.


Goodson: "Neste sentido, a elaboração de currículo pode ser considerada um processo pelo qual se inventa tradição [...] Não é, porém, como acontece com toda tradição, algo pronto de uma vez por todas, é antes, algo a ser defendido onde, com o tempo, as mistificações tendem a se construir e reconstruir" (p.27)